O MEU AMOR

O meu amor anda mal tratado
Cansado
Falido
Falado
De rasuras tantas, que de gasto e farto
Já nem se levanta e mal se apruma
De alegria já nem uma
Com sulcos profundos e definitivos
Com medos cativos e sublinhados
Mas é preciso não subestimá-lo
Por que quase morto, moribundo
É capaz de reerguer o afeto
E sob o beijo do amante predileto
Reinventar o mundo

TRANSFORMAÇÃO


Rompe-se tudo dentro de mim
Ouço o barulho da quebradeira
Até dói... Os vidros se partem. Os cacos caem
Há dores derramadas por todos os lados
Há tristezas escorrendo nos veios do chão d’alma
Derruba-se o muro guardião das dores
Há uma tremenda ebulição em mim
Vai ao chão todos os valores
Existe uma confusão, uma mistura de coisas
Um pântano de paixões inúteis e amores tontos
Uma mistura de cheiros no ar
Uma soma de sabores nojentos.
A boca escancarada, pronta pra gritar
Cai por terra crenças e aprendizados
Tapo os ouvidos com as mãos, mas o som aumenta
Aperto os olhos, mas as imagens são mentais
É na velocidade do vento que tudo acontece
Há rodopios. Há um ciclone interno varrendo tudo
Fazendo desordem, tirando e mudando coisas de lugar
Há um lago de incertezas transbordando em mim.
Há lacunas sendo preenchidas. Até dói...